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Debaixo Da Língua

Debaixo Da Língua

Contigo - parte 5 de L e J

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12 de Novembro de 2016

 

Que horas são? Ah! Está na hora de ir acordar a Clara!, repara Alice enquanto se dirige para o quarto de Clara. Quando entra fica uns momentos a olhar para a sua querida neta, tão nova, tão inocente, com um coração tão forte. Ainda tem tanto por viver e só consegue pensar em jogar no tablet… devia de pensar em brincar com bonecas ou ir para o jardim correr, mas não só quer estar sentada em casa sem falar com ninguém agarrada aos jogos, espero que o dia de hoje mude um pouco o seu pensamento, pensa tristemente a avó.

 

- Clarinha, são horas de acordar! – sussurra, enquanto dá alguns beijos na testa da menina.

- Quero dormir mais! – pede Clara.

- Anda, não podemos chegar atrasadas!

- Estou ansiosa que isto acabe. Nunca mais chega o Natal para ter o iphone e poder fazer o que quiser.

 

Alice, magoada pelo desejo da menina, sai do quarto sem dizer mais nenhuma palavra. Porém Clara repara na reação da avó ao seu comentário, e enquanto se levanta e veste reflete nas palavras que disse, magoei a minha avó, não devia de ter dito isto mesmo que seja o que eu penso.

 

***

 

A avó encaminha Clara para um edifício velho e deteriorado. Quando batem à porta, uma senhora vem recebê-las e ao ver Alice cresce logo um sorriso.

 

- Bom dia dona Alice! Como está hoje?

- Olá, bom dia! Estou bem, obrigada! Hoje trouxe uma acompanhante especial para me ajudar!

- Olá Clara! Podes não me conhecer, mas eu já ouvi falar muito de ti! Mas entrem, não vamos ficar à porta!

- Vó, o que estamos a fazer aqui? – pergunta Clara.

- Hoje vamos partilhar algum do nosso carinho e tempo com algumas crianças. Vamos contar-lhes uma história!

- Crianças? Aqui, neste edifício velho?

- Querida, estas crianças moram aqui. Sabes, nem toda a gente tem uma casa luxuosa como tu, não têm uns pais carinhosos como os teus, nem tantos brinquedos ou tablets como tu tens.

- Não têm brinquedos nem tablets? E como brincam? Como são felizes?

- Podem não ter muita coisa, mas brincam uns com os outros e mais importante que isso, têm amor, carinho e afeto de todas as pessoas que os ajudam e que os visitam. Isso é o mais importante.

Clara, confrontada com a realidade, começa a chorar. Começa finalmente a ver o mundo com outros olhos e a compreender que apesar de ela ter muitos brinquedos e uma boa casa, não quer dizer que toda a gente tenha o mesmo.

- Desculpa vó, pela forma como te falei quando acordei.

- Minha querida, estás perdoada – diz Alice docemente.

 

Juntas decidem ler a história do Peter Pan a todos os meninos, uma vez que era a história favorita da avó. Adorava as diabruras dos meninos perdidos, a fantástica imaginação que eles tinham para criar brincadeiras e também a ideia de poder voar pelos céus. Fazia-lhe lembrar a sua infância desprovida de brinquedos, onde ter imaginação era a melhor forma de haver diversão. Quando a história terminou, toda a gente já se encontrava com fome, dessa forma seguiram todos para a cantina onde almoçaram uma deliciosa refeição. Durante a tarde houve tempo para tudo, brincadeiras, conselhos de moda e penteados e muitos abraços. Quando eram horas de ir embora, Clara ficou com sentimentos contraditórios, queria ir para casa contar a experiência aos pais, mas ao mesmo tempo não queria deixar os seus novos amigos. Assim, foi embora, mas prometendo que voltava outro dia.

-L&J-