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Debaixo Da Língua

Debaixo Da Língua

Marcados - 2ª temporada, final de L e J

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“Existem tristezas que não podem ser superadas, alegrias que nunca serão esquecidas e fases que somos obrigados a passar.

Este momento está a ser difícil de ser superado, eu tentei, tentei múltiplas vezes… Tentei esquecer, tentei ser forte, mas, como habitual, sucumbi à fraqueza. Sou fraco. Desculpem-me pelo sofrimento que causei e vou causar.

Mãe, quero dizer que te amo e amar-te-ei para o resto do meu ser. Sem ti não vivia, vou levar-te no meu coração para todo sempre. O amor que sentimos pela nossa mãe é inigualável.

Maria, minha querida Maria. Eu sei que não sabes os sentimos que sustento por ti, mas és e serás para sempre a mulher da minha vida. Amo-te desde os meus 7 anos. És uma menina muito especial, tentei contar-te várias vezes, mas não consegui. Espero que sejas muito feliz. Estarás para sempre comigo.

 

Nunca vos esquecerei. O meu coração será vosso para todo o sempre.

 

Cristiano”

 

 

 

19 Meses antes…

            Hoje estou tão nervosa, nunca me senti assim. Estou a explodir de nervos. É difícil não poder escolher o nosso futuro e termos de depender de uma estúpida insígnia que nos é tatuada no pulso. Tenho de pensar positivo, vou lutar, afinal eu sou forte.

            A minha mãe, de manhã, deu-me imensa força, ela é o meu orgulho, o meu enorme pilar.

Maria Garcia

            Estou a ser chamada. Meu deus, estou a tremer. Tenho tanto medo.

 

 

            Ainda não consegui olhar para o meu pulso. Qual poderá ser a minha insígnia? Eu adorava que fosse algo relacionado com flores, queria um trabalho delicado, ternurento…

            Vim ao WC, tenho de ganhar coragem e olhar para o pulso. Respiro fundo. 1…2…3… Olho! Não! Não!.

            Sinto a minha cara a arder, os meus olhos a encherem-se de lágrimas, as minhas pernas a cambalear, sinto-me a desfalecer. Não pode ser, não pode, por favor não…

            Tenho marcada a insígnia do espaço, vou para longe da Terra lutar pela sua segurança.

 

 

            Passaram-se dias, no entanto, escondo a marca do meu pulso a toda gente. Apenas a minha mãe sabe, ela é o meu pilar. Eu sei que vou aguentar e enfrentar esta nova fase como um desafio e uma experiência única.

            Vou ser forte!

 

 

Atualidade…

            Não vou aguentar tanto sofrimento!

            Hoje foi o pior dia da minha vida, o dia em que me despedi para sempre do amor da minha vida, do Cristiano. Saber que nunca mais o poderei ver, sentir é tão doloroso. Queria-lhe ter contado, ter-lhe dado apoio. Falhei!

            Tiraram-me o tapete dos pés, eu amo-o tanto. Porque escondi? Porque os seres humanos escondem coisas? Porque não exprimem o seu amor?

            Agora, estou aqui, abraçada à mãe do Cristiano, desoladas, sem o grande amor das nossas vidas. Ao ver as suas cinzas a serem levadas pelas ondas senti que parte de mim foi com ele.

            Alguma vez recuperarei desta perda?

 

 

            Já se passaram 5 meses, após a morte do Cristiano. No entanto, sinto-o tão presente. Nunca o esquecerei.

            Mantenho contacto com a mãe dele, todos os dias visito-a, sou a sua única “família”. Ela nunca será a mesma, uma mãe nunca recupera a morte de um filho.

            Amanhã faço 18 anos, vou partir para o espaço. Vou enfrentar esta luta pelo Cristiano, ele estará sempre comigo.

            Amar-te-ei para sempre!

 

 

Fim

 

 

Nota do autor:

Nunca deixem nada por dizer, a vossa felicidade pode estar de mãos dadas ao vosso lado. Omitir um sentimento é retrair e envelhecer a alma. Digam amo-te à vossa cara-metade, familiares e amigos, pelo menos uma vez por dia. Acarinhar um coração é a melhor prenda do mundo.

Amo-te J!

-L&J-

Desaparecido de C. L. Taylor

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Sinopse

Quando Billy Wilkinson, um adolescente de 15 anos, desaparece a meio da noite, Claire, a sua mãe, culpa-se pelo que aconteceu.
Mas não é a única a fazê-lo. Todos os membros da família se sentem culpados.

O facto é que os Wilkinsons estão tão acostumados a guardar segredos entre si, que a verdade só começa a vir ao de cima seis meses depois. E uma coisa é certa: alguém sabe o que aconteceu a Billy.
Claire acredita desesperadamente que o filho ainda está vivo e convence-se de que a família e os amigos não têm qualquer relação com o seu desaparecimento. 

E o instinto de uma mãe nunca falha… Ou falhará?

 

Opinião dela

Neste segundo livro a autora volta a não dececionar, conseguindo manter o ritmo louco que encontramos no seu livro de estreia "Em Fuga". Desta vez a personagem principal, Claire, procura o seu filho desaparecido, Billy, que saiu de casa numa noite e nunca mais voltou.

 

Ao longo do livro, como é de esperar, Claire vai descobrindo certos pormenores sobre o que pode ter levado à ocorrência desse acontecimento, o que a leva a ter cada vez mais dúvidas sobre a família e amigos que a rodeia, o seu filho e ela própria.

 

Apesar de ser um livro entusiasmante, acho que senti menos "adrenalina" ao lê-lo do que senti ao ler o "Em Fuga", não porque seja menos interessante, mas talvez porque a história não me fez ficar tão viciada. Aliás, apesar da premissa principal ser descobrir o Billy e o que lhe aconteceu, eu liguei-me mais à personagem da mãe, chegando ao ponto de me interessar mais pelo que se passa com ela e não tanto o que se passou com o seu filho.

 

Sem querer dar spoilers, como devem imaginar, Claire encontra-se numa altura de extremo stress, o que a leva a adquirir uma certa condição de forma a ajudar a aliviar toda a tensão que se encontra a viver. Eu acho essa condição muito assustadora e são exatamente esses momentos que me levam a querer descobrir a verdade.

 

Quanto ao final, só mesmo nos últimos parágrafos é que vão entender tudo, já que nada na história nos leva a advinhar o que aconteceu naquele dia tão tenebroso!

-J-

 

Opinião Dele

Apesar da minha opinião sair em 2019, esta foi a minha última leitura de 2018. Com isto, acabei o ano num monopólio de sensações.

 

Este livro foi o segundo lançado em Portugal desta autora, que tanto admiro e estimo, por esse motivo sabia que o iria ler. Ele conta-nos a história de Claire, uma mulher lutadora e uma mãe desesperada pelo motivo do desaparecimento do seu filho mais novo, e toda a família e amigos envolvidos neste turbilhão de emoções.

 

Mal iniciei a leitura tive uma ligação com Claire, não consigo imaginar o sofrimento que uma mãe tem neste tipo de situações, no entanto este tipo de acontecimentos mexe comigo. Por sua vez, existem inúmeras personagens que não consegui ter nenhuma ligação. Penso que a perspetiva da autora era ligar-nos à protagonista, mas distanciar-nos do resto das personagens.

 

Relativamente à escrita posso afirmar que é super fluída e desconectada de léxico mais complexo, é uma escrita sólida e perspicaz. A escrita da C. L. Taylor é um miminho para qualquer leitor.

 

“Desaparecido” é um thriller arrepiante que nos prende até à última página. Mais uma vez, C. L. Taylor está de parabéns.

 

O que terá acontecido a Billy?

-L-

Um Do Li Ta de M. J. Arlidge

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Sinopse

Uma jovem rapariga surge dos bosques após sobreviver a um rapto aterrador. Cada mórbido pormenor da sua história é verdadeiro, apesar de incrível. Dias mais tarde é descoberta outra vítima que sobreviveu a um rapto semelhante. 

As investigações conduzem a um padrão: há alguém a raptar pares de pessoas que depois são encarcerados e confrontados com uma escolha terrível: matar para sobreviver, ou ser morto. 

À medida que mais situações vão surgindo, a detetive encarregada deste caso, Helen Grace, percebe que a chave para capturar este monstro imparável está nos sobreviventes. Mas a não ser que descubra rapidamente o assassino, mais inocentes irão morrer…

 

Opinião dele

 

Apaixonei-me pela capa do livro e foi nesse momento que o nosso amor se concretizou. Não conhecia o autor, nem nenhuma opinião acerca do livro. O que mais me deixou curioso foi a similaridade da história com a do filme Saw, do qual sou um fã incondicional.

Como disse anteriormente, a premissa do livro deslumbrou-me e dessa forma comprei o livro sem hesitar. Quando comecei a ler deparei-me com capítulos pequenos e uma leitura bastante fluída. Adorei, este tipo de escrita faz com que o leitor leia mais e com mais ânimo, porque o livro puxa por nós. Outro aspeto que gostei foi que em cada final de capítulo há um gancho que prende o leitor à história.

A protagonista Helen Grace é uma mulher forte e lutadora, no entanto o seu passado é bastante presente em todo o trama o que a pode levar e ter de lutar contra si mesma. Adoro a personagem, mas, penso que não é uma personagem completamente humana e que o seu paradigma é bastante dúbio.

A nível de enredo, posso afirmar, que é sublime e que o autor merece o destaque que tem tido. O final é eletrizante.

Eras capaz de morrer pela pessoa que amas?

 

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-L-

Marcados - 2ª temporada, parte 1 de L e J

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- Cris… Cris… Cristiano?

Deixaram a porta entreaberta? Estranho. O Cristiano nem desconfia, eu e a sua mãe vamos fazer uma festa surpresa. Ele vai adorar.

Nestes últimos tempos tenho-o sentido tão triste, o seu olhar brilhante transformou-se num olhar distante, desiludido e assustado. Que estará a acontecer com ele? Estará apaixonado?

 

 

Sinto alguém atrás de mim, viro-me de repente e dou um grande grito.

- Desculpa Maria, não te queria assustar. – Diz Ana, mãe de Cristiano.

- Não tem mal, o Cristiano está?

- Sim, deve estar no quarto.

- Eu chamei por ele, mas ninguém respondeu.

- Deve estar com os phones. Eu fui à pastelaria buscar o bolo dele. Vamos entrar, para eu colocar o bolo no frigorífico.

Entramos, a casa estava com o aroma a pêssego, dirigimos-nos à cozinha para guardar o bolo no frigorífico.

- Maria? Posso-te fazer uma pergunta? – Pergunta Ana, sinto que a sua voz estremeceu ao dizê-lo.

 

Sentamos-nos as duas no balcão da cozinha.

 

- Claro que sim, dona Ana. – Digo apressadamente, no entanto sei qual será a pergunta.

- Sabes o que se passa com o meu filho? Eu sinto-o muito abatido nos últimos tempos. Eu sei que a insígnia o veio deixar muito nervoso e abatido. No entanto, não pode ser só isso. Ele chora todos os dias, tem constantemente pesadelos. Será por causa da escola? Eu sei que ele gosta de ti, tu deves saber de alguma coisa.

Como assim ele gosta de mim? A insígnia? Ele nunca me contou da insígnia que recebeu, sempre disse que era surpresa. Estou assustada, sinto que o meu chão desabou, não estou a entender nada.

- Qual insígnia? Ele gosta de mim? Desculpe dona Ana, mas não estou a entender nada. – Digo apressadamente com a cabeça numa confusão tremenda.

- Não? Desculpa Maria, desculpa. – Dona Ana abraça-me e desata a chorar.

- Não estou a entender. O que se passa com o Cristiano? – Pergunto olhando-a nos olhos.

- É melhor subires e falares com ele. Desculpa-me querida.

 

 

A subir ao primeiro andar sinto a cabeça à roda. O que é que está acontecer? Não sei o que se está a passar. Porque a insígnia o pode ter assustado tanto? Ele gosta de mim? Como assim? Como amigo, certamente é essa a resposta.

 

 

- Cris … Cristiano posso entrar? – Digo ao bater à porta.

Ninguém me responde.

- Cris? – Bato mais fortemente, se ele estiver com os phones não me vai ouvir.

Abro a porta lentamente, está tudo escuro. Quase tropeço numa cadeira que está no chão. Ao virar-me deparo-me com o Cristiano dependurado. Grito em plenos pulmões, os olhos enchem-me de lágrimas. Tento agarra-lo, está gelado, está sem vida…

- CRIS… CRISTIANOOO … - grito descontroladamente.

Abraço-o, quero senti-lo, quero-o aqui comigo.

A insígnia! Olho para o seu pulso, é a insígnia do espaço.

- Meu amor tu ias partir, porque nunca falas-te comigo? Eu amo-te Cristiano.

Eu sei que não me ouves. Eu amo-te tanto.

Porque nunca lhe contei?

 

-L&J-

Novidade Porto Editora - em minúsculas de Herberto Helder

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ISBN: 978-972-0-03054-2

Editor: Porto Editora, S.A.

Páginas: 200

Preço: 17.70€

Disponível a: 4 de Maio de 2018

 

"em minúsculas" é um livro que compila algumas das crónicas e reportagens de Herberto Helder enquanto esteve a viver em Angola. Todos os textos aqui reunidos foram publicados no Notícia  entre abril de 1971 e junho de 1972, altura em que o poeta assinou como Herberto Helder e Luís Bernardes (ou respetivas iniciais).

Num livro com investigação, digitalização, transcrição, revisão e seleção a cargo de Daniel Oliveira, Diana Pimentel e Raquel Gonçalves, este livro, publicado pela Porto Editora, chega às livrarias a 4 de maio.

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